No limite entre a Vida e a Morte.
Certa vez em determinada ocasião e momento de minha vida, estive exposto a um ambiente nada agradável a qualquer ser vivo que respire e emane vida no planeta, me recuperava de um adoecimento segmentado, em uma U.T.I – Unidade de Terapia Intensiva, num grande centro médico paulistano, a contar pelo estado e situações gerais que os demais semelhantes se encontravam, eu estava no melhor posto, acordado, lúcido, e alimentando com minhas próprias mãos, presenciei muitas coisas e situações, mas nada daquilo que ocorria me impressionava, paradas cardíacas, respiratórias, hemorragias, e feridas abertas,lançando sangue sobre aquele solo de tristeza e dores inconsoláveis, exceto o dia em que presenciei a morte de um semelhante, que desencadeou numa enxurrada de pensamentos, reflexões e lembranças, tratava-se dos últimos instantes da presença corpórea, de um determinado individuo, com aparência robusta, e porte considerável, porem aparentava possuir muitos anos de pisadas no solo, por volta dás zero horas e alguns minutos, ocorreu a primeira parada cardíaca, com um leve retorno de atividade mecânica impulsionada basicamente pelo esforço físico do corpo, por conta das fortíssimas drogas que recebera durante a primeira e árdua reanimação, não passados de três a sete, oito minutos, ocorreu a segunda parada, reabilitada após muito esforço e inserções de mais drogas, choques, e entubamento respiratório, não passados sessenta segundos a três minutos, ocorreu a primeira parada simultânea entre coração e pulmões, caracterizando a parada cardio-respiratória, com direito ao aplique de novas drogas para reanimação, choques, algumas pancadas no peito, e outras ferramentas, alem dos curiosos pedidos da chefe de equipe médica que realiza e comandava o socorro, dizendo, com o fim que talvez o paciente escutasse antes de morrer e ajudasse a equipe: “Senhor, nos ajude, não morra, converse com os seus orixás, e peça a eles que nos ajude!”, o termo orixás, foi utilizado por conta da aparência do paciente, que assemelhava-se com um “pai de santo”, nem parecia ter passado tanto tempo, mas quando foi anunciada a “horas-morti”, ou simplesmente o horário de passagem para o mundo dos mortos, documentado pelos médicos, já tinham se passado mais de três horas e meia, que os profissionais estavam tentando reanimar aquela pobre alma, é algo incrível, talvez nenhum físico consiga explicar este fenômeno de tempo. Pesquisei algumas coisas e, verifiquei o seguinte, em teorias mais praticas, determinamos que o coração funciona pelo movimento de seus músculos, e ainda por impulsos elétricos coordenados, uma parada cardíaca,caracteriza-se pela imobilidade destes músculos, ou simplesmente sua morte,e inatividade, todas as drogas aplicadas possuem a função de contração imediata destes músculos, através de estímulos bioquímicos ajustados a intensidade da quantidade da droga aplicada, o desfibrilador (aparelho que conduz correntes elétricas ao coração), partindo deste principio, pressupõem-se que toda a parte mecânica do processo a medicina já tratou de reproduzir mais proximamente possível, funcionando da seguinte maneira, as drogas contraem o músculo cardíaco, e o desfibrilador conduz e propicia os estímulos elétricos necessários para o correto batimento e retorno á vida do coração em degradação, foi então que refleti, faltava algo para que aquela pobre e inocente alma não fosse embora para a escuridão do abismo da morte.
O que faltava? Por que a medicina ainda não inventou este elixir necessário ao retorno das almas do mundo dos mortos para a vida? O que realmente faltava?
Ficou então exposta a grande pergunta:
O que fazer para trazer os mortos para a vida, como devolver aquele pequeno sopro de vida que se tomou á desvair? A única certeza que tinha, é que faltava pouco, muito pouco mesmo.
Publicado por Lucas, NCA Project Brazil.com
Em Dezembro de 2007, Hora Publicada.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
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